Quarta-feira, Setembro 22, 2004

Somos gajos porreiros, pá!



A situação com a colocação de professores é, na minha opinião, um exemplo óbvio da nova cultura de trabalho em Portugal.

Eu até acredito que a COMPTA tenha profissionais competentes e seja uma empresa que traga valor acrescentado aos seus clientes. No entanto, não se sentiu na obrigação de entregar a tempo e horas um produto para a qual foi contratada.

Porque não? Porque o seu cliente, o Estado, é o primeiro a não cumprir prazos e pagamentos. Como pode o Estado exigir competência dos seus fornecedores, quando é o primeiro que mostra falta dela? Basta ver o que se passou como o Túnel das Amoreiras. É a política do “deixa andar”, não te preocupes “, logo se resolve”, “dá lá um jeitinho”.

Poderíamos pensar que o mesmo não se passaria com um cliente privado e a situação seria diferente. Errado! Infelizmente o mesmo já se passa entre empresa privadas. A atitude empresarial do país tem se vindo a degradar e a mediocridade e a falta de profissionalismo são hoje comuns no sector privado.

E como a Justiça é lenta (salvo algumas excepções como os Tribunais Administrativos que hoje em dia são bastante rápidos nas suas decisões), a parte em falta não se sente pressionada, pois sabe que uma sentença judicial demora anos a ser decidida.

Mas o que é que estou para aqui a dizer? Este estranho conceito de que devíamos ser responsáveis pela qualidade do trabalho que realizamos e pelos compromissos que assumimos não é para nós. E no final de contas, somos gajos porreiros, pá! Paga-se uma jantarada e ficamos todos amigos outra vez!

(desabafo: Why the hell am I going back to Portugal ?)